As Coleções
Organização Geral do Acervo
Descubra a estrutura e a lógica da organização do Mapeamento das Coleções Etnográficas. Nesta seção, apresentamos uma visão detalhada de como funciona o mapeamento e como as coleções estão categorizadas e organizadas, facilitando a navegação e o acesso às informações.
Saiba mais sobre a nossa metodologia de catalogação, as principais categorias e temas abordados, e como você pode explorar o conjunto de recursos disponíveis.
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Geolocalização
Explore os acervos mapeados através de uma perspectiva geográfica com a funcionalidade de Geolocalização do Mapeamento das Coleções Etnográficas. Aqui, você pode visualizar onde se encontram as coleções mapeadas por nosso projeto.
Esta abordagem interativa permite que você descubra conexões culturais e históricas baseadas em localizações geográficas específicas, oferecendo uma maneira única de interagir com as coleções espalhadas pelo território nacional.
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Glossário
Navegue pelo glossário do Mapeamento das Coleções Etnográficas, que traz termos, conceitos e nomes importantes relacionados ao mapeamento.
Esta ferramenta é essencial para detentores, pesquisadores e qualquer pessoa interessada em compreender melhor o conteúdo específico de nossa plataforma. O glossário é uma referência valiosa para enriquecer seu conhecimento e esclarecer dúvidas.
É a reunião de dois ou mais objetos que são capazes de compartilhar entre si sentidos determinados por quem coleciona ou forma a coleção. A coleção tem como função estabelecer uma relação entre o mundo visível e o mundo invisível, ou seja, as pessoas que acessam ou contemplam os objetos e os sentidos simbólicos que esses objetos evocam. As coleções servem a funções específicas como, por exemplo, para fruição estética ou para ganho e produção de conhecimento histórico e científico (Coleção, 1984).
As coleções etnográficas, assim caracterizadas pela Antropologia, têm início na coleta de evidências materiais de povos não europeus ocidentais, como as populações ameríndias por exemplo, a partir da invasão e colonização da América. Seu valor exótico, segundo o ponto de vista dos colonizadores europeus, foi uma das principais características impulsionadoras da busca de objetos e formação dessas coleções por viajantes e naturalistas entre os séculos XVIII e XIX. A partir de fins do século XIX a formação desse tipo de coleção ganha a tônica da preservação de elementos culturais importantes que corriam o risco de desaparecer. Os povos indígenas, sobretudo, eram considerados ameaçados de extinção e seus objetos representavam importantes evidências sobre a gênese da espécie humana (Ribeiro; van Velthem, 1992). Trata-se, então, de elementos que evidenciam modos de vida, hábitos cotidianos, processos cerimoniais, de trabalho e outros aspectos culturais de coletivos sociais como povos indígenas ou comunidades tradicionais. As coleções etnográficas contribuem com a valorização, preservação e disseminação da memória de grupos indígenas, afrodiaspóricos e tradicionais do Brasil.
Podemos compreender “comunidades tradicionais” como um conjunto social que compartilha os mesmos costumes culturais, as mesmas culturas tradicionais. Acabam por expressar, coletivamente, determinadas formas de ser que caracterizam sua identidade cultural. Vejamos a definição da Unesco sobre o termo “culturas tradicionais”: “Culturas tradicionais se refere a costumes, crenças e práticas duradouras que são transmitidas de geração em geração dentro de uma comunidade ou sociedade específica. Essas culturas frequentemente abrangem elementos como língua, arte, rituais e normas sociais, refletindo a identidade histórica e os valores do grupo” (Traditional cultures, [202-], tradução nossa).
Ao explicar sobre mitos e cosmologias a partir de textos de Aracy Lopes da Silva, o portal Povos Indígenas no Brasil (Mitos […], 2024) explica que cosmologias são teorias sobre o mundo que levam em consideração fatores como a ordem cósmica e deslocamentos no espaço e no tempo. Esses fatores interferem na humanidade e são afetados por ela que, por sua vez, é um elemento tal qual outros seres e domínios nessas redes de relação. Eles estabelecem uma relação de interdependência fundamentada por trocas e transações de energias vitais, informações e conhecimentos que propiciam a sua renovação e capacidade de criar coisas novas. A perspectiva cosmológica é capaz de colocar os humanos em contraposição a outras realidades como, por exemplo, o mundo dos mortos ou o mundo dos animais. Essas concepções norteiam a vida cotidiana dos grupos sociais. Orientam a forma como interpretam o mundo e seus eventos e, ainda, apoiam suas escolhas e hábitos que se manifestam por meio de linguagens simbólicas em rituais ou em artefatos que permitem acessar outras dimensões cósmicas, por exemplo.
Como afirma Antonio Augusto Arantes (2012, p. 81), “fazer teatro, música, poesia ou qualquer outra modalidade de arte é construir, com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece, com as suas roupagens identificadoras particulares, e concretas, o que é mais abstrato e geral num grupo humano, ou seja, a sua organização, que é condição e modo de sua participação na produção da sociedade. Esse é, a meu ver, o sentido mais profundo da cultura, ‘popular’ ou outra”. A cultura popular abarca ampla diversidade de saberes, técnicas, princípios e formas de expressão cultivadas por coletividades de pessoas, geralmente ligadas às classes sociais populares, trabalhadores e proletariado, e que são vivenciadas, transformadas e transmitidas de geração a geração através das experiências vividas e da memória coletiva. Trata-se não somente de folclore e tradição, mas também de um modo de articulação das tradições vivas em contraponto à dominação ideológica. A cultura popular expressa um modo autêntico de criatividade e conhecimento capaz de construir identidades e produzir modos de resistência social (Bosi, 2025).
O Guia básico de educação patrimonial (Horta; Grunberg; Monteiro, 1999, p. 6) nos oferece a seguinte definição: “trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho da Educação Patrimonial busca levar as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação cultural”.
No site do projeto, na sessão “Divulgação científica”, encontramos uma publicação das professoras Adriana Russi, Lucia Hussak van Velthem e Marília Xavier Cury (2022) intitulada “Mapeamento das coleções etnográficas no Brasil: três relatos de um percurso”. Neste artigo identificamos o mapeamento, contextualizado no referido projeto, como prática que busca cooperar com iniciativas de reconexão de coleções com seus descendentes e comunidades de origem. Mapeamento corresponde a um processo sistemático de levantamento, identificação e registro de coleções etnográficas conservadas em museus, instituições, universidades, iniciativas comunitárias etc., em todo território nacional. Isso requer o desenvolvimento de uma metodologia que permita atingir os objetivos determinados. Assim, o trabalho do projeto de Mapeamento das Coleções Etnográficas no Brasil se organiza por regiões geográficas, buscando cruzar fontes como a plataforma MuseusBr e outros dados de pesquisas. Os desafios são diversos; entre eles podemos citar a precariedade e a falta de documentação disponível, a questão da abrangência territorial, e ambiguidades de termos e conceitos. Dessa forma, a ação do mapeamento se caracteriza por um aspecto dinâmico que exige, ao longo da experiência, renovações, adaptações e outras mudanças.
Memórias, lembranças, reminiscências… Para o campo de estudos da memória social, memórias não expressam os acontecimentos tal qual de fato ocorreram, mas dizem respeito a uma reconstrução do passado alicerçada no presente, ou seja, amparada pelas estruturas sociais do momento em que se recorda. Dessa forma, a memória não se refere a um passado que é revivido, mas sim àquele que se constitui a partir das relações que se estabelecem coletivamente, isto é, com o outro, com as coisas, com os acontecimentos e demais agenciadores das dinâmicas sociais. Nesse sentido, o direito às memórias, especialmente dos povos subalternizados, é um lugar de reconhecimento e campo para possibilidade de reparação histórica (Halbwachs, 2023).
Compreende-se a memória coletiva por uma perspectiva sociológica que considera as implicações das dinâmicas sociais na forma como nós lembramos. Embora o ato de lembrar corresponda a uma ação individual e muitas vezes até solitária, nossas lembranças se encontram sempre inseridas em contextos sociais nos quais as lembranças são elaboradas (Halbwachs, 2023, p. 10). A memória coletiva, então, é aquela cuja forma é dada por conjunturas sociais, situando as pessoas, fisicamente ou em pensamento, em relação a um ou vários grupos (Halbwachs, 2006).
Em agosto de 2022, uma conferência no Conselho Internacional de Museus (International Council of Museums, Icom) apresentou a definição mais atualizada sobre museu que temos hoje: “um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos e ao serviço da sociedade que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o patrimônio material e imaterial. Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus fomentam a diversidade e a sustentabilidade. Com a participação das comunidades, os museus funcionam e comunicam de forma ética e profissional, proporcionando experiências diversas para educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimentos” (Nova […], 2022).
São materialidades visíveis aos olhos que, uma vez inseridas em coleções, são destituídas de suas funções utilitárias e passam a ser submetidas a cuidados especiais, ou seja, passam a ter valor de troca e perdem valor de uso. Os objetos de coleção são colocados permanentemente ou temporariamente fora do sistema de atividades econômicas e são imbuídos de sentidos simbólicos, passando a conectar, como mediador ou mesmo de forma agentiva, as pessoas e o mundo invisível desvelado pelas camadas temporais, históricas, afetivas etc. que constroem tais objetos em uma coleção (Coleção, 1984).
Segundo o artigo 216 da Constituição Federal do Brasil, “constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico” (Brasil, 2023).
Os bens culturais tombados de natureza imaterial, segundo a página virtual do Iphan (Patrimônio imaterial, 2014), “dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas)”.
Os bens culturais tombados de natureza material são classificados de acordo com a página virtual do Iphan (Patrimônio material, 2014) em duas categorias: “podem ser imóveis como as cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; ou móveis, como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos”.
Buscas
Utilize a ferramenta de busca do Mapeamento das Coleções Etnográficas para encontrar rapidamente uma coleção mapeada pelo projeto.
Esta seção permite realizar buscas detalhadas por instituição, título, tema, suporte e outros critérios específicos de artefatos, detentores, comunidade, dentre outros. A funcionalidade de busca é projetada para ser intuitiva e eficaz, ajudando a facilitar o acesso à informação de forma rápida e precisa.















